Uma análise das práticas atuais, benchmarking e recomendações para estratégias de sustentabilidade corporativa.
Este relatório analisa as práticas de sustentabilidade de 66 empresas de capital aberto da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial ISE B3, responsáveis, em conjunto, por R$ 1,74 trilhão de valor de mercado, contribuindo para 17% do PIB brasileiro e oferecendo insights sobre os desafios e oportunidades enfrentados por grandes organizações no Brasil e no exterior.
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Metodologia
Nossa análise se concentrou nos relatórios de sustentabilidade de 2022 dessas empresas, examinando 10 temas prioritários dos capitais social, humano e natural. Utilizamos duas dimensões de avaliação: maturidade da mensuração de impacto e maturidade da estratégia de sustentabilidade. Essas dimensões foram mapeadas em uma seleção de temas de impacto (por exemplo, mudança climática e salário digno).
Usamos a definição de fluxo de impacto, que engloba insumo, alcance, efeito e impacto, para corresponder à dimensão de mensuração do impacto das empresas. Para a dimensão da estratégia, usamos uma escada de maturidade baseada em ações, desde a conscientização até metas quantitativas, registros rastreados e integração ao modelo de negócios.
Principais conclusões
Maturidade da mensuração de impacto: Para seis dos dez temas (mudança climática, desenvolvimento comunitário, diversidade, educação/qualificação, resíduos sólidos e água), 88% a 97% das empresas forneceram métricas de alcance, enquanto entre 2% e 6% usaram métricas de efeito. Para quatro temas (direitos humanos, biodiversidade, salário digno e impostos), a maturidade foi notavelmente menor, com uma parcela significativa (cerca de 97% das empresas) negligenciando esses temas em suas estratégias de sustentabilidade ou oferecendo apenas dados em nível de atividade.
Maturidade da estratégia de sustentabilidade: Embora a maioria das empresas (52% a 97%) tenha reconhecido a relevância do desenvolvimento comunitário, educação/qualificação, direitos humanos, água, resíduos sólidos e biodiversidade em suas estratégias de sustentabilidade, faltaram compromissos e estratégias específicos para gerenciá-los e melhorá-los. De forma encorajadora, foram observadas exceções para mudança climática e diversidade, com 57% e 53%, respectivamente, definindo estratégias mensuráveis. Temas como salário digno e impostos foram pouco abordados, com apenas algumas exceções.
Insights acionáveis
As empresas com práticas avançadas de mensuração de impacto são significativamente mais propensas a definir estratégias de sustentabilidade maduras e incorporadas aos planos de negócios. Os dados mostram um aumento de 11 vezes na probabilidade de integração das estratégias de sustentabilidade e de negócios quando os efeitos foram escolhidos como métricas de impacto. Essas descobertas ressaltam a importância de medições mais robustas para elevar as estratégias de sustentabilidade corporativa a um novo patamar.
Recomendações e prioridades
Os principais tópicos discutidos neste estudo tratam dos impactos prioritários para o Brasil em relação à biodiversidade, às mudanças climáticas, à água, à diversidade e ao salário digno.
Os seguintes aspectos principais devem ser considerados:
1. Biodiversidade:
Defina quais métricas são relevantes para medir os impactos e as dependências da biodiversidade para a sua cadeia de valor. Em seguida, comprometa-se a proteger áreas de maior biodiversidade, incluindo espécies ameaçadas, e vincule essas métricas a metas mensuráveis. Um exemplo é a conservação e gestão eficaz de uma fração significativa das terras produtivas da empresa (e.g., 30%), alinhada às metas locais de biodiversidade, priorizando áreas com maior riqueza de espécies e com ênfase em áreas de importância especial para o funcionamento e os serviços do ecossistema.
2. Mudanças climáticas:
Determine suas emissões atuais de carbono e defina uma meta de redução alinhada com o padrão da iniciativa Science Based Target, que fornece orientação para definir metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) alinhadas com o que é necessário para manter o aquecimento global abaixo de níveis catastróficos.
Planejar ações para atingir a meta e alocar um orçamento e recursos para atingir as metas, considerando o custo e os benefícios das iniciativas. Por exemplo: Reduzir os emissões absolutas de carbono de escopos 1, 2 e 3, alinhando-se com as necessidades estabelecidas pelas métricas de metas baseadas na ciência para o setor.
3. Água:
Meça a pegada hídrica e avalie os riscos e as dependências em toda a cadeia de valor com métricas de outcomes para identificar áreas prioritárias e oportunidades estratégicas de melhoria em relação ao uso da água em sua cadeia de valor. Desenvolva uma estratégia de regeneração da água para obter um impacto líquido positivo e estabeleça metas. Por exemplo: Soluções baseadas na natureza que abordem a escassez de água e a seca e que garantam um maior fornecimento de água durante todo o ano.
4. Diversidade:
Aproveite a diversidade como uma oportunidade de negócios, priorizando estrategicamente iniciativas de impacto e alocando recursos. Estabeleça um ambiente e metas que promovam a igualdade, principalmente em cargos de nível inicial e operacional. Isso significa, por exemplo, que é necessário entender as necessidades e o contexto local de pessoas vulneráveis e minorias e incluí-las na definição de estratégias.
5. Salário mínimo:
Envolva seus parceiros de negócios para incluir considerações de salário digno na cadeia de valor, priorizando as áreas mais críticas identificadas em seu primeiro exercício de benchmarking e comparando todos os salários pagos com os valores de referência de salários dignos.
Estabeleça métricas de outcome que permitam que sua organização priorize e comunique claramente seu impacto social no combate às desigualdades a todas as partes interessadas. Por exemplo: Eliminar a diferença de salário digno para funcionários terceirizados que trabalham nas instalações da empresa em um horizonte de três anos. Você pode usar o Global Living Wage Dataset da Valuing Impact para iniciar sua avaliação.
