Baixe o Estudo de Caso da Novartis
Uma proposta metodológica para avaliação e valoração quantitativas.
Introdução
O setor privado está cada vez mais sob pressão para enfrentar questões de direitos humanos e trabalhistas em todo o mundo, não apenas em suas próprias operações, mas também em suas cadeias de suprimento. Empresas com cadeias de suprimento complexas enfrentam riscos operacionais e reputacionais decorrentes da globalização econômica. No entanto, a visibilidade que as empresas têm sobre sua cadeia de suprimento costuma ser limitada, muitas vezes restrita a um pequeno grupo de fornecedores diretos, o que limita a capacidade das partes interessadas, incluindo as próprias empresas, de agir e enfrentar esses riscos e impactos. Reduzir riscos e gerar valor social, alinhado aos ODS, é essencial para a criação de valor no longo prazo.
Apesar dos esforços já realizados em torno de transparência, seleção e conhecimento de fornecedores, questões como trabalho infantil, trabalho forçado, corrupção, salários abaixo do digno e trabalhadores pobres, entre outras, ainda estão muito presentes em diversas regiões do mundo conectadas à economia global.
Diversas razões explicam essa falta de ação, entre elas a ausência de ferramentas adequadas para fazer a triagem de riscos de capital humano e social ao longo de toda a cadeia de suprimento, e para priorizá-los. Já existe uma série de abordagens (incluindo auditorias de fornecedores, parcerias com ONGs e institutos de pesquisa, ou serviços de consultoria que oferecem mapas de priorização, entre outros), mas nenhuma delas oferece uma visão suficientemente granular, transparente e abrangente.
Identificamos três limitações principais nas abordagens atuais:
- Primeiro, as empresas costumam depender de dados externos genéricos, não conectados às suas próprias atividades ou padrões de compra (por exemplo, um mapa genérico de países com alto risco de trabalho infantil), em vez de dados vinculados às suas atividades específicas (por exemplo, considerando o porte de suas operações em um setor particularmente arriscado em um país específico).
- Segundo, os dados usados nessas avaliações costumam considerar as questões sob um recorte limitado, seja setorial ou geográfico, quando ambos são necessários para entender onde agir. Além disso, quando questões isoladas, como o trabalho infantil, são analisadas separadamente do conjunto mais amplo de questões de direitos humanos, isso limita muito a capacidade de gerar insights relevantes.
- Terceiro, as cadeias de suprimento além do primeiro nível raramente são consideradas, devido à falta de informação sobre como são constituídas.
Neste estudo, apresentamos uma metodologia para avaliar os riscos de capital humano e social (em particular as questões de direitos humanos e trabalhistas) nas operações e na cadeia de suprimento de uma empresa, buscando superar essas limitações. Essa abordagem se baseia em estatísticas econômicas e de direitos humanos, já que dados reais sobre riscos trabalhistas e de direitos humanos são extremamente difíceis de coletar para uma empresa de grande porte, com possíveis obstáculos para garantir rastreabilidade de bens e serviços. O uso do grande volume de dados públicos atualmente disponíveis, aliado a métodos quantitativos modernos, nos permite gerar insights relevantes para que as empresas enfrentem os riscos humanos e sociais em sua cadeia de suprimento e aprimorem sua estratégia de sustentabilidade.
