Medidas para preservar a biodiversidade no planalto suíço gerariam 136 milhões de CHF em benefícios para a sociedade. É urgente reconhecer que o forte declínio da biodiversidade na Suíça já afeta a economia do país.
Um relatório recente da FOEN (a agência ambiental suíça) sobre o estado da biodiversidade no país mostrou que quase 50% dos habitats estão ameaçados e que 36% das espécies avaliadas estão classificadas como ameaçadas nas Listas Vermelhas (IUCN). O relatório se limitou principalmente a resumir observações, sem indicar possíveis soluções. A Suíça não é reconhecida como um país negligente em relação à biodiversidade, ainda assim o declínio é acentuado.
Sobre possíveis soluções, foi explorado o potencial de mudanças em nível de paisagem no planalto suíço (a região entre os Alpes e o Jura, duas cadeias montanhosas), com foco na transição das práticas agrícolas para sistemas agroflorestais com consórcio de árvores. Esse sistema utiliza espécies arbóreas plantadas entre as lavouras, de forma semelhante à paisagem agrícola tradicional conhecida como “bocage” no Reino Unido e na França. Ele tem a vantagem de proteger a biodiversidade em paisagens agrícolas e, ao mesmo tempo, gerar serviços ecossistêmicos adicionais, entre eles (Dupras e Reveret 2015):
Controle de nutrientes do solo
Qualidade da água
Qualidade do solo
Polinização
Controle biológico de pragas
Qualidade do ar
Controle de corredores de vento
Produção de madeira
Regulação climática (armazenamento de carbono)
Com uma estimativa conservadora do potencial de conversão das terras agrícolas do planalto suíço, o benefício para a sociedade chegaria a 136 milhões de CHF por ano. Também é possível inverter a leitura do resultado e considerar que 136 milhões de CHF são perdidos todos os anos devido às externalidades do sistema agrícola no planalto suíço. Como comparação, o subsídio nacional atual para compensação ecológica (obrigatório para os agricultores) soma aproximadamente 84 milhões de CHF no planalto suíço e 140 milhões de CHF em toda a Suíça.
Uma mudança nesse sistema de compensação beneficiaria a biodiversidade e, ao mesmo tempo, se pagaria por si só. No entanto, a composição dos benefícios mostra uma redução na produção agrícola líquida, com uma melhora expressiva nos serviços não comercializados. Essa situação de benefício compartilhado entre comunidades, autoridades, agricultores e a sociedade em geral não é simples de administrar. Ferramentas que envolvem investimentos em serviços ecossistêmicos precisarão ser discutidas entre as diferentes partes interessadas, e uma solução precisará ser negociada. Os serviços ecossistêmicos mais beneficiados seriam a qualidade e filtragem da água, a qualidade do ar, a regulação climática e a qualidade do solo, que juntos representam 90% dos benefícios não comercializados.
Essa estimativa se baseia em um estudo pequeno e limitado, com dados do Escritório Suíço de Estatística, além de um estudo específico sobre sistemas agroflorestais com consórcio de árvores publicado em Dupras e Reveret 2015. Os resultados do estudo conduzido em Quebec foram transpostos, com alguns ajustes, para as condições suíças.
Embora os resultados apresentem diversas incertezas, o objetivo é gerar conscientização e informar tomadores de decisão de que pensar em biodiversidade a partir de paisagem ou sistema pode gerar mais benefícios para a sociedade. Em dez anos (2003 a 2013), o planalto suíço perdeu, em termos de área agrícola, o equivalente a duas vezes a área ocupada pela cidade de Lausanne. É urgente agir para preservar a qualidade da biodiversidade nas áreas remanescentes. A implementação da compensação ecológica foi um marco importante para a Suíça, mas uma melhor integração dessa medida à paisagem ainda é necessária para enfrentar a perda de biodiversidade sem comprometer o sistema econômico.
